6.28.2007

DCE: Por que parou? Parou por quê?

Entidade representativa dos estudantes está há mais de seis meses sem diretoria eleita. Entenda as conseqüências disto e como modificar a situação.

O nome da gestão era “O tempo não pára”, mas paradoxalmente no período em que esteve na direção do DCE a entidade ficou completamente paralisada. De 2004 a 2006, o DCE foi dirigido por chapas do PT (Partido dos Trabalhadores) e PCdoB (Partido Comunista do Brasil), como estes partidos estavam alinhados com o governo federal, estadual, municipal e reitoria, tiveram como função impedir que as manifes-tações estudantis afetassem estes “parceiros”. Assim, os movimentos que aconteceram neste período foram orga-nizados por fora da entidade, como as lutas por passe livre e por moradia estudantil, que inclusive ocupou a reitoria sem o apoio do DCE.

Lucas Perucci, do C.A. de Biologia, defende que a forma como se deu a eleição de 2005 também explica a apatia que a seguiu. “O processo eleitoral foi atropelado, não criou um fato político, foi muito mais a legitimação de uma única chapa, não havia clareza de linhas políticas. Disto resultou uma apatia, não foram convocados conselhos deliberativos nem discussões para ampliar a participação.”

Para o estudante, apesar de alguns C.A.s já criticarem as atitudes da gestão, a falta de acompanhamento criou o clima propício para a corrupção. “Se mantivermos esse formato de DCE, sem participação dos estudantes atuando e fiscalizando, a gente abre precedentes para a corrupção, seja qual for a pessoa ou partido que estiver na diretoria”, argumenta Lucas.

Como a antiga gestão não convocou eleições e não realizava prestação de contas sobre o dinheiro que a entidade recebe do xerox no centro e no campus, o Conselho Deliberativo resolveu expulsar os diretores da “O tempo não pára”, em 21 de novembro de 2006. Desde então a comissão eleitoral tem tentado reconstituir a entidade. A falta de uma diretoria no DCE tem causado prejuízos aos estudantes. Além da falta de uma instância de articulação do movimento, a representação estudantil nas decisões da UEL também tem sido barrada pela falta da entidade.

Rafael Vigentin, do curso de Ciências Sociais, era coor-denador Acadêmico da gestão “O tempo não pára”. Para ele, a acusação de roubo não deve recair sobre toda a gestão, mas apenas sobre os responsáveis pelas finanças. Segundo ele, houve tentativas de pressionar a coordenadora de Finanças responsável pelo caixa – Elis Afini da Silva, estudante de química. Com muito esforço e pressão, os estudantes conseguiram que ela apresentasse registros das finanças. “Só que a prestação de contas não bateu. Ela tinha gasto com viagens, táxi, entre outras coisas que não correspondiam a um trabalho de gestão, e sim de questões pessoais dela”, conta Rafael, e se defende, dizendo que nunca relou em um centavo do caixa.

Para reorganizar a entidade, foi realizada uma assembléia, no dia 21 de junho, em que os estudantes decidiram constituir uma nova comissão provisória, com membros escolhidos na assembléia e aberta para um representante de cada C.A. Decidiu-se também iniciar o processo eleitoral no início do segundo semestre. Será exigido da chapa eleita a convocação de um Congresso do DCE que modifique o estatuto da entidade.

- Alessandra Moura e Soraia de Carvalho

Nenhum comentário: